quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A biblioteca que se salvou graças ao fogo

As queimas de bibliotecas no mundo antigo foram realmente alguns dos eventos mais tristes da história, já que em um tempo no qual a difusão das obras não era muito ampla, muitas vezes estas bibliotecas continham documentos únicos e exclusivos que ao serem queimados perdiam-se para sempre. É histórica e famosa a destruição da biblioteca da Alexandria, não obstante, existe um singular caso no qual o fogo da destruição ironicamente serviu para preservar os conteúdos.


Em meados do século XIX o arqueólogo britânico Austen Henry Layard descobriu, no local onde hoje em dia é o Iraque, os restos do que resultava ser uma biblioteca nos territórios do antigo reino assírio de Nínive, a mesma foi nomeada em honra a Asurbanipal, o último grande rei assírio.

Esta biblioteca não era qualquer uma já que possuía uma ampla e rica história; história que seria esquecida por mais de dois milênios e meio quando em 612 a.C. foi vítima de uma das inacabáveis guerras mesopotâmicas depois que uma aliança comandada pelos babilônios invadiu a cidade destruindo tudo. A invasão desencadeou um assédio interminável pelo qual vários dos edifícios da cidade arderiam nas chamas da guerra, edifícios entre os quais se encontrava a biblioteca.

Conquanto normalmente isto poderia ser traduzido em destruição total, como em tantos outros casos, neste em particular algo fenomenal ocorreu, os conteúdos da biblioteca não estavam em sua totalidade armazenados em papiros, senão que eram placas de argila que se cozeram com o calor e ficaram presas dentro dos restos da mesma.


                                                         Placa recuperada de Asurbnipal
 
Layard enviou quase 31 mil placas encontradas ao Reino Unido, onde foram armazenadas e estudadas até os dias atuais no Museu Britânico, tarefa nada fácil já que a condição dos textos não é perfeita e muitos de fato foram classificados como irrecuperáveis. Da biblioteca recuperaram, depois de perdidos nas areias do tempo, os textos da épica de Gilgamesh, o mito de Adapa, o Enuma Elis e a lenda do Pobre homem de Nippur entre muitos outros de menor importância.



7 Comentários:

Humberto Camargo 19 de novembro de 2009 18:08  

Será que veio daí o ditado em que há males que vem pra bem? hehehe
Bastante interessante suas postagens.
Abraço.

Guttwein 19 de novembro de 2009 18:28  

Escritos assim, talhados,são muito mais confiáveis (de certa forma), do que palavra que vai indo de boca em boca... como foi a montagem da Biblia conforme a conhecemos hoje em dia. Quem garante a integridade desses escritos?
Não critico quem acredita, mas... como agnostico que sou, tenho lá minhas reservas qto a isso rs ¬¬

Tatiane Rosa 19 de novembro de 2009 18:47  

Adoro história...As histórias da Grécia antiga do Egito me encantam muito...Se tivesse condições visitaria todos os lugares que fizeram história,rodaria o mundo atrás dos fatos,eu gostaria de ser arqueológa,mais essa profissão não tem muito futuro por aqui...

Lady 20 de novembro de 2009 03:54  

adorei esse post.Além de viciada em livros amo arqueologia
Parabéns
bjsss

Alex 20 de novembro de 2009 12:47  

Moleza na Beleza também é cultura! =)

Quando puder:

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Lucas Magno 20 de novembro de 2009 13:45  

Realmente triste os incêndios nas bibliotecas.
Sou apaixonado por literatura e o quanto que se perdeu com tudo isso é inestimável.

Blog interessantíssimo.

Abraço

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